Um – acatar autoridade justa e razoável. Se se perguntar a
um professor qual o principal problema com que se debate na sala de aula, o
mais provável será que ele responda apontando para o facto de que os seus
alunos não reconhecem autoridade a ninguém. Isto acontece porque eles começam
por não reconhecer autoridade aos pais. Ora, uma criança precisa de limites
para crescer em segurança, e esses limites são a autoridade exercida pelos
pais. Muitos dos pais, sobretudo dos jovens pais, não conseguem exercer
autoridade. Têm medo, não se sentem seguros, querem ser «amigos» dos filhos – e
isso nunca se deve fazer. Um pai, uma mãe, um professor não podem ser «amigos»
de uma criança, porque a amizade é uma relação entre iguais e um adulto não
pode ter esse tipo de relação com uma criança que está à sua guarda.
Dois – controlar-se, definindo os limites entre público e
privado. Expresso na velha frase «Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque.»
este é um princípio básico da vida em sociedade. Não se fala na escola como se
fala em casa ou na rua. Não se diz tudo o que nos passa pela cabeça. Não se
escreve como se fala. Não vai vestido da mesma maneira para a escola e para a
praia. Isto pode parecer lógico demais para ser mencionada, mas a verdade é que
todos os professores se deparam todos os dias com jovens que não têm qualquer filtro
entre o que lhes passa pela cabeça e o que sai pela boca.
Três – pôr-se no lugar do outro. Antes de fazer seja o que
for e seja a quem for, é importante ser capaz de prever as consequências desse
acto. Pensar «Como me sentiria eu no lugar dele(a)?» é essencial para fazer
essa previsão. A «crueldade natural» das crianças e dos adolescentes pode ser
muito atenuada com esta prática. Nenhum de nós gosta de sofrer – não é difícil ensinar
a uma criança que, se ela não gosta de sofrer, os outros também não gostam.
Quatro – ter um sistema de valores. Saber o que é certo e o que
é errado. Um sistema de valores tem que ser claro. As crianças aprendem-no
facilmente se for claro e lógico. Uma acção errada tem sempre que ser castigada
e uma certa tem sempre que ser elogiada. Um sistema de valores claro aprendido
em casa fica para sempre como estrutura. E nunca um pai ou mãe se devem esquecer
de que o exemplo é o melhor professor.
Cinco – pensar. É essencial ensinar as crianças a pensar.
Não lhes dar todas as respostas de bandeja mas devolver-lhes a pergunta - «O que
é tu achas que é?» - ensiná-las a procurar, procurar com elas, estudar com elas
novas perguntas. Dá trabalho, mas ter filhos é isso mesmo.
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